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Entenda a relação entre o médico e a indústria farmacêutica

Entenda a relação entre o médico e a indústria farmacêutica

Os medicamentos, em geral, ocupam grande parte do dia a dia de um médico. Afinal, este profissional deve ter alta familiaridade com os remédios comuns de sua área, a fim de prescrevê-los aos seus pacientes a cada diagnóstico confirmado, se necessário. Sabendo disso, a indústria farmacêutica acaba se aproveitando da situação e aposta em estratégias de marketing, muitas vezes consideradas antiéticas, para induzir o profissional da saúde a prescrever mais do seu composto ao invés do concorrente.

Entenda no post de hoje qual é a relação entre o médico e a indústria farmacêutica, e saiba como tomar o devido cuidado para não se tornar um refém de alguma companhia. Por fim, vamos esclarecer também o que diz a lei em vigor atualmente, e qual o posicionamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), sobre o assunto. Boa leitura!

Médicos e a prescrição de medicamentos,

Na sua educação para se tornar um profissional da saúde apto e bem preparado, um médico entra em contato com diversos medicamentos e para os fins mais variados no organismo do ser humano.

Com o passar do tempo, o médico, ao encontrar-se com sua especialidade e exercer uma função específica na medicina, começa a ter contato com um número menor de medicamentos. Esses remédios geralmente serão aqueles que ele precreverá a seus pacientes após um diagnóstico, por exemplo.

O que ocorre é que uma mesma substância medicamentosa tende a ser produzida por uma série de empresas diferentes. A substância pode ser exatamente a mesma ou ter uma fórmula diferente, mas se ambas possuírem o mesmo princípio ativo, ou seja, a mesma finalidade, elas já podem ser consideradas como concorrentes.

O médico, então, deverá prescrever o composto de um laboratório sem particularidade ou preferência, analisando de forma imparcial fatores como qualidade, concentração do composto, preço acessível ao paciente e demanda do produto no mercado. No entanto, em inúmeros casos, o que acontece é o oposto.

Estratégias da indústria farmacêutica

As indústrias farmacêuticas precisam arrumar formas de vender mais do seu produto. É a função delas no mercado mundial, e para isso, apostam nas mais diversas estratégias de marketing. Porém, o que ocorre é que muitas acabam sendo abusivas e antiéticas em determinadas práticas.

Muitos laboratórios utilizam os serviços dos chamados patrocinadores ou representantes —  profissionais que possuem como tarefa visitarem as clínicas e consultórios médicos para apresentarem o seu produto ao médico-gestor e a outros profissionais do estabelecimento, demonstrando as vantagens de seu uso quando comparado aos demais.

Geralmente, amostras grátis são deixadas no local e um vínculo é estabelecido com o profissional da saúde. O médico, então, deverá, seguindo o acordo, prescrever somente os medicamentos daquele laboratório específico. Em troca, ele poderá receber bonificações e regalias, por exemplo.

Além disso, muitas empresas podem oferecer ingressos para cursos, congressos e palestras se um médico atingir a cota de medicamentos estabelecida no acordo. Outras companhias, ainda, oferecem viagens, brindes e presentes, atitudes que vão de encontro com o Código de Ética Médico, e requerem atenção redobrada dos profissionais da saúde para que não se tornem uma forma de suborno indireto.

Cuidados que os profissionais da saúde devem ter

É extremamente importante que os médicos, especialmente aqueles que cuidam da gestão de uma clínica, tenham cuidado com esse tipo de relação para que ela não seja danosa. O patrocínio e auxílio que muitas clínicas recebem dos laboratórios podem tornar muitos médicos reféns da situação. O caso é tão grave que pode, inclusive, atingir a sociedade.

Como exemplo, estudos realizados recentemente por pesquisadores da Universidade de Harvard e da Califórnia, mostraram que muitos pacientes perdem a confiança em médicos que tem proximidade exagerada com a indústria farmacêutica, duvidando de suas credibilidades profissionais.

Os médicos, portanto, não devem se tornar consultores dos laboratórios e estarem sujeitos a reciprocidade. O marketing será inevitável e, quando abusivo, cabe ao médico manter a boa conduta e a ética ao exercer sua função profissional, sabendo lidar com cada situação.

O que diz a lei atualmente em vigor

A lei atualmente em vigor, seguindo o protocolo assinado pelo plenário do CFM em 2012, não vê como danosa a relação de médicos e a indústria farmacêutica, desde que algumas orientações sejam respeitadas no processo.

De maneira geral, a participação dos médicos na relação deverá ser neutra e imparcial. Ele poderá aceitar convites de eventos, ingressos para congressos, além de presentes e brindes como frutos de um valor simbólico. No caso dos eventos, toda e qualquer despesa, como transporte, alimentação e hospedagem, deverá ser paga pelo próprio convidado, e em hipótese alguma poderá haver remuneração por parte do laboratório.

Em caso de presentes e brindes, os objetos envolvidos não podem ultrapassar 1/3 do valor do salário mínimo e devem estar relacionados a práticas médicas (artigos, publicações, exemplares, modelos anatômicos etc.).

Por fim, o relacionamento entre as partes deve ser baseada na troca de informações que auxiliem o desenvolvimento da assistência médica e farmacêutica, caracterizando um ganho mútuo.

Posição do Conselho Federal de Medicina (CFM)

O Conselho Federal de Medicina (CFM) age conforme as diretrizes do Código de Ética Médico e, portanto, condena a prática de atitudes que violem a integridade moral do profissional. Isso ocorre quando uma companhia oferece recompensas mais palpáveis ou, em outras palavras, na forma de ganho de dinheiro direto ou indireto.

Segundo o CFM, o médico tem total liberdade de fazer a sua prescrição. Em casos de acordos com uma indústria farmacêutica, a relação deve ser totalmente transparente e justa de forma a evitar conflitos de interesses. Brindes, jantares e viagens oferecidos diretamente em troca de prescrição são vedadas pela Anvisa e pelo Código de Ética Médica.

A relação com a indústria farmacêutica é inerente ao dia a dia de um médico, principalmente daquele que, além de exercer sua profissão na saúde, atua como gestor de uma clínica. É muito importante que se tenha cuidado em certos casos, evitando, assim, que a reciprocidade do acordo não seja desigual e que a lei e o Código de Ética Médico sejam respeitados acima de tudo.

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